Quinta-feira, 3 de Maio de 2012

Messi, enano, saluda a Cristiano!

Afinal parece que fui...


A verdade é que com chuva e sem companhia, mas fui. Não podia deixar passar a oportunidade de estar presente na festa de consagração do Real Madrid, que andava há já quatro anos a ver os festejos em Barcelona pela televisão. O ambiente incrível, os sorrisos das pessoas realmente contagiantes. Eu fui meio "em trabalho" meio "em turismo", mas dei por mim de cachecol ao pescoço, a entoar cânticos, a aplaudir, a trocar olhares de felicidade com quem me via como sua igual. Para quem também há já quatro anos não festeja nenhuma grande vitória do seu clube, foi mesmo muito bom estar na Cibeles, mergulhada em tanta euforia e a ouvir gritar que "ese portugués, que bueno es". OLÉ! 

Campeones!

Vou só ali chorar um bocadinho porque a chuva não me deixa ir festejar o campeonato ganho pelo Real Madrid.


Segunda-feira, 30 de Abril de 2012

Umas compras por dia não sabe o bem que lhe fazia.

Eu devia estar neste momento a analisar jornais desportivos de 2007, porque prometi a mim mesma que se quero ir a Portugal em Maio preciso ir com a tese já escrita e pronta a ser entregue, mas ao invés disso estou a limpar a casa de banho e a arrumar o quarto, porque uma pessoa tem que ter prioridades. (Já ouvi desculpas melhores.)

E falando em prioridades, resolvi aproveitar este dia de férias extra que me concedi e ir outra vez à procura de roupa para o dia do meu aniversário, que se aproxima a passos largos. Ainda ontem me comentava a Shoko, e com razão, que em Outubro chegar a Maio parecia algo irreal, intocável, uma outra vida. Agora só temos mais duas semanas de aulas, já vivemos em Madrid há mais de meio ano, o estágio está mesmo aí à porta e estamos, cada vez mais, a assumir o papel de gente crescida. É assustador e compensador na mesma medida. 

Sendo assim pus-me a caminho, almocei no McDonalds - para quê ser magra se posso comer um CBO? - e lancei-me à Zara já com as ideias muito bem definidas em relação àquilo que queria. Escusado será dizer que vim de lá com peças completamente diferentes. Comprei duas calças, umas de ganga que me estavam a fazer falta (as minhas estão todas largas) e umas com padrão florido, uma camisa coral sem mangas com uns detalhes muito bonitos no ombro e umas sabrinas, as minhas primeiras, agora que decidi render-me finalmente à sua comodidade. As peças combinam todas umas com as outras, já com o pensamento centrado em diferentes formas de conjugá-las. 


Estou muito feliz com as minhas aquisições, porque fogem um bocadinho, em cor e estilo, àquilo que costumo comprar, mas mal posso esperar pela semana que vem para poder estreá-las. 

O look do dia, na mesma senda do de ontem, mas com a saia que é um dos meus amorzinhos: 


Domingo, 29 de Abril de 2012

Tienen una vida y se la van a jugar.


Adoro o centro de Madrid aos Domingos. A cidade ganha um movimento diferente; não deixa de ter uma vibrância e vida incríveis, dignas de uma grande capital europeia, mas as pessoas sorriem mais, passam uma sensação de intimidade confortável. Também há muita arte nas ruas, música ambiente que vai além do vai e vem de palavras dos que passam. Os espanhóis são um povo diferente de nós - aproveitam os fins-de-semana para sair à rua, comer umas tapas acompanhadas de uma cerveja, encontrar amigos de longa data. As ruas de Lisboa a um Domingo à tarde parecem meio fantasmagóricas. Aos espanhóis, para estar fechados já lhes basta o ambiente de trabalho de 2ª à 6ª. 

Decidi por isso entrar no espírito da coisa e sair de casa, ainda que com a chuva a ameaçar não ser a melhor companheira de passeio, para uma tarde de compras com a Shoko. Não sem antes alegrarmos a gordinha que temos dentro de nós.

A minha recomendação de Madrid número 1: Não podem sair daqui sem provar a melhor tortilla do mundo. É um dos nossos lugares de culto, e sempre que andamos pela zona do Sol não podemos resistir a ir petiscar no Mesón de la Tortilla. É em tudo uma tasca. Mesas de madeira, banquinhos, empregados de mesa bonacheirões. Nas paredes estão pintadas imagens dos Flinstones. A especialidade é, claro, a tortilla de patata. Ignorem o aspecto, esqueçam todas as tortilhas que já comeram. Com esta entram num admirável mundo novo de sabor. Ainda me supreendo sempre que a como. Para acompanhar, uma dose de presunto e um copinho de Tinto de Verano. 



Não satisfeita com a quantidade de calorias ingeridas, a Shoko decidiu fazer-me uma surpresa e levar-me a outra tasquinha, que eu ainda não conhecia. Chama-se Mesón del Champi (sim, os espanhóis são extremamente criativos) e, como o próprio nome indica, vende cogumelos. Não são uns cogumelos quaisquer. São só os melhores que eu já provei em quase-23 anos de vida. Para terem uma noção: Não sou especialmente fã de cogumelos por si só, mas estes, temperados com sal e um segredo e recheados de bacon... Imperdíveis. 



Já de barriguinha definitivamente cheia e, de certeza, um número a mais nas calças, aventurei-me então na busca pelo outfit perfeito para o meu aniversário. Não encontrei nada que captasse especialmente a minha atenção, mas verdade seja dita o bicho das compras raramente me ataca quando estou acompanhada, pelo que não comprei nada além de uns básicos de maquilhagem que já estavam a fazer falta na minha casa de banho. Decidi então largar as lojas e aproveitar a companhia de uma das amigas mais especiais que Madrid me deu. 

Sentadas nas escadas do Cinema Callao, especial para nós porque nessa Praça nos encontrámos pela primeira vez, fugimos da chuva, bebemos o nosso café e colocámos em dia todas as fofocas, antes de esta semana que vai ser de férias - ou de retiro espiritual para mim, que pretendo terminar a tese. 


Mas não sem antes ter um surto de histeria a la Filipa, confrontada de surpresa que fui com a possibilidade de ver pela segunda vez no ecrã gigante o meu actor favorito de sempre. O Daniel Brühl é um actor alemão com ascendência espanhola e a maioria dos seus filmes são "alternativos" e desconhecidos, pelo que nunca os pude ver no cinema em Portugal. Agora em Madrid a história muda de figura: "The Pelayos" é definitivamente o próximo filme que verei no cinema. 


O look do dia, simples e prático para um dia em que se caminhou muito: 



Sábado, 28 de Abril de 2012

Primeiro retrato.

«Tanto a minha vida, como a vida de Madrid, já tiveram muitas formas.
                                                                   No entanto, quando nos encontramos, somos sempre o mesmo nome.»
(José Luís Peixoto.)

Madrid não é mais minha inimiga. Os meses passam e as suas ruas tornam-se mais familiares, os seus costumes menos distantes. Esta cidade tem já muito de mim gravado em si, com os meus passos nas suas calçadas, a minha respiração fria transformada em fumo que se evapora, com esta sensação de pertença rara que me pergunta se é verdade que nem sempre foi assim, se é real que eu nem sempre fui aqui.

Agora, falar de Madrid já não significa chorar. As saudades ainda existem - estão presas nas minhas impressões digitais - mas foram transformadas em palavras. Escrever também já não dói. 

Este blog é a consequência de muitas verdades. É um retrato meu, talvez o mais fiel. Não há comprometimento; pela primeira vez, eu permito-me ser eu mesma. Na cidade que acolheu o meu sonho, com as paixões que fiz minhas. Sem pretensões, sem promessas. Só como uma fotografia onde apareço a sorrir. 
 

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